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Foi só externar minha preferência pelo rotineiro que vieram novidades. Muitas e de uma vez. Tudo em janeiro. Começou com a decisão da caçula de se mudar pra Curitiba. Tudo bem que era sonho antigo. Mas dependia de passar no vestibular… Pelo menos do meu ponto de vista. Como não passou, resolveu ir assim mesmo, de mala e cuia. Imersão no local… Certo: em agosto ela faz 21. Mas é o meu bebê… “Ahhh… mãe!!!”. Mas é. Enfim, eduquei para a independência e autonomia e agora queria o que? Hesitação?… É auto-confiante, madura, decidida e corajosa. Habilidosa também. Determinada, principalmente. Sem medo. Ótimo, eu sei, mas… e eu? E o quarto vazio, agora? Tudo bem, tudo bem, é assim que tem que ser, ela é a flecha e eu, só o arco! Não foi a primeira, é a terceira, mas dói do mesmo jeito. Talvez mais, já que estou mais velha. Menos corajosa e resistente. Também convivemos mais, nos últimos 5 anos, depois da minha aposentadoria. Desde cedo ela tinha medo de me perder, depois da morte da avó e do pai. Pelo jeito, passou… Claro que é melhor do que apatia, inutilidade, omissão. Tá. Foi chorando, e chorando ficamos. Domingo triste! Hoje conversamos no Messenger e ela está feliz: vejo pela webcam. E faz careta, palhaçada, se emociona, ri e sorri. Menina bonita. Deus a abençoe todo dia, como tem sido, aliás, desde sempre. E que assim seja! Mas fiquei sem assistente e sem muito mais. Agora, tudo eu de novo… inclusive.
Teve também hospital: cirurgia da Dri, de nariz, dia 8. Tudo certo, belo resultado. Fiquei de enfermeira e sem faxineira, que fez implante dos dentes, dia 9. Todos, de uma vez. Licença de 20 dias. E não tenho empregada. Me viro. Mas não dei conta da unha encravada… Duas, nos dedões dos pés. Dia 16, centro cirúrgico e várias picadas de anestesia local. Por uma boa causa: nenhuma sensibilidade e ele cortando, corrigindo e costurando. Bendita invenção da anestesia! Disse o meu médico que teria sido em Boston, século 18, se me lembro bem. E que antes se embebia algodão com éter e se enfiava no nariz da vítima, digo, paciente. Ele apagava e eles operavam. Terminava o efeito, repetiam a dose, até o fim. Sem outros controles… E eu ali, no possível conforto, sem frio nem calor, ouvindo o bip do monitor, grata por ser o século 21, tranqüila e curtindo a maravilha de perceber a cirurgia sem sombra de dor… Fim do suplício de pisar em gelo fino, prestes a espatifar.
Volto pra casa e a paciente de nariz vira enfermeira. De pés pra cima, vejo tudo por fazer. Em férias, minha enfermeira - uma revelação! - decide fazer velas decorativas. No balcão da cozinha… e no fogão. Nem quero ver. De repente a notícia do amigo infartado. Mas, gente… Tudo junto? E chove, chove, chove: janeiro no sudeste do Brasil. E goteiras na sala, como não? –Chama o Acácio! E sobe, martela, conserta. – Quer que lave as caixas d’água? — Vai, lava! Pelo menos essa parte se resolve. Não dá pra escapar. Coração apertado pela falta dela, alegria da casa, passarinha fujona, e dedões doloridos, inflamados, custando a cicatrizar. Banhos de romã, arruda e calêndula. Cama ou sofá. Antibiótico oral caro e, a meu ver, inútil. Curativo e limpeza à custa de xilocaína tópica e delicadeza de filha: ainda bem… Medo do diabetes e suas complicações: perder o dedo, o pé? Cheiro de vela sugerindo aviso de morte. – Sai, pensamento sinistro!
E finalmente a lembrança de um antigo antibiótico químico vegetal, famoso na família e na cidade: invenção de um dentista, acho eu, dos tempos do meu avô. Um décimo do que gastei na farmácia e o triplo da eficácia: cicatriza a jato e desinflama no ato! Tinha me esquecido. Impressionante! Como as guinadas que a vida dá. Se, por um lado, passou mais esta e a gente vai vencendo, por outro fica a certeza de que outras virão. Sem prévio aviso, é claro! Já disse Guimarães Rosa: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
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Fátima!
O que dizer? Ainda bem que gostamos de escrever. Não resolve, mas minora.
Bjs!
Sérgo
Tell me about it honey!!!!
Sometimes I wonder: Do I have heart enough??!! And the answer (of course!!):Yeap, baby, you do. You and all the planet.
So, what to do, besides keep busy living!!!
(better than keep busy dieing…rsrsrsr).
“Desde cedo ela tinha medo de me perder, depois da morte da avó e do pai. Pelo jeito, passou…”
Na verdade não passou, eu simplesmente aprendi que não preciso necessariamente do contato visual (que nem quando o papai morreu e você ficava sentada do lado de fora da classe com a porta aberta pra eu te ver) pra saber que tenho você!!
Também sinto muito saudade sua, mas com o tempo eu vou sendo tomada por obrigações, como ir pro cursinho, estudar de tarde, lavar roupa, arrumar casa… e aí aquela saudade doída dá lugar a um sentimento confortante de que mesmo longe, muito longe, você tá ali, bem pertinho… e eu vejo isso todo dia de noite antes de dormir e é a primeira coisa que eu vejo quando acordo, já que pendurei sua foto no vidro da janela com aqueles prendedores que a dri me deu…
TE AMOOOOOOOOOOOOOOOO