Literatura do cotidiano e o que mais interessar…

VIDA E VALSA

Termino de almoçar e não posso evitar de olhar a pia da cozinha repleta de objetos culinários obviamente sujos. Ou, usados. Ok! Arregaço as mangas e enfrento, inclusive porque sou só eu na casa. E na cozinha. Mas, assim, a seco? Não, não mesmo. Pelo menos vou ouvir música enquanto isso, e música alta, preenchendo ouvidos e ambiente. Inclusive os dos vizinhos. Mas eles nem podem reclamar, porque não ouço pagode, nem funk. (Tomara que pensem como eu…) 😉

Então escolho um CD. Sei que quem me conhece logo pensou que seria um do IL DIVO, ou do Chico, mas para surpreendê-los, e a mim também, pego um de… Valsas Vienenses. Uau! Duvido que alguém teria adivinhado. Então vou pra cozinha e deixo rolar, isto é, tocar. A primeira, claro, é “Danúbio Azul”. Melodia imortal. Merecidamente, aliás. E isso ninguém impõe nem escolhe. Só que tenho 55 anos, adolesci ouvindo Beatles e Chico e Jovem Guarda, logo, valsa só no baile de debutantes. Pelo menos meu pai sabia dançar, porque meu padrinho… Em compensação, era bonito. Deus, como era belo o Bira!

Voltando às valsas: só dancei no meu baile de debutantes (e eu nem era – como não sou –  da alta) e depois no baile de formatura do meu marido. Também teve uma vez com a Débora, na formatura de uma amiga. Ou seja, foram três vezes. Ah, mas eu quase me esqueço de que fui aluna da Zezé Granato, uma competentíssima educadora física, coreógrafa e artista, completamente artista. E a gente fazia uma variação de Ginástica Rítmica, já que nem tínhamos aparelhos de acordo ou dedicação suficiente. Mas eis que, ao som de Danúbio Azul, largo o que nem cheguei a começar, e que era a louça suja esperando água e detergente, e danço pela cozinha, já que ninguém vai me julgar nem invejar. 🙂

Tá bom, tá bom… aquelas pernas bonitinhas e eficazes da minha adolescência ficaram lá na memória, mas, a memória não me trai e ainda me lembro dos movimentos e das coreografias. E dou um show só para as paredes e demais componentes do ambiente culinário. Decerto se eu pudesse me ver, daria é boas risadas, crítica que sou. E vocês também, claro. Desculpem por isso: não atendo pedidos! 😉

Mas o que resta disso tudo é que me impressiona a vivacidade e o estímulo que esse gênero musical pode provocar. Os compositores de valsas deviam ter muito tempo livre, poucos estímulos exteriores e tecnológicos, e, evidentemente, talento musical e técnica apurada, como a época exigia. Tanto que essas valsas vienenses continuaram a ser relançadas, e tocadas e dançadas, embora não na TV. Mas, o que é a TV? E isto é outro assunto.

Claro que, mesmo avivada e estimulada por esses ritmos cadenciados e vibrantes, no caso executados pela Wiener Volksoper Orchestra, não dá pra esquecer que, primeiro, meu peso atual e minhas pernocas sacudidas fazem da dança um exercício audacioso, e, segundo, a pia da cozinha continua populosa de apetrechos por lavar. Além do mais o disco acabou, mas o sol entra pela janela, sobre a pia, assim como o ar fresco e o trinado dos passarinhos nas pitangueiras. De bandeja. Por que reclamar?

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Comentários em: "VIDA E VALSA" (14)

  1. Ai que legaaal! Fico feliz por saber que está se permitindo….! Bjs

  2. Bom, Dri, eu me permitir é fácil… Problema é o meu corpo não concordar! rsrsrs

  3. Teresa disse:

    Adoro ler tudo que vc escreve.Me remete a um tempo mágico, sempre e indiscutivelmente.Bjs

  4. Maria de Lourdes disse:

    Fátima, Vida e Valsa me fez lembrar a música:

    Eu vivo a vida cantando, ai lili, ai lili ai lou.
    Por isso sempre contente estou, o que passou, passou.
    O mundo gira depessa, e nessas voltas eu vou.
    Cantando a canção tão feliz que diz
    ai lili, ai lili, ai lou.

  5. Ana Maria disse:

    Adorei ler este texto, me lembrou tambem a pia cheia de loucas e meu baile de debutantes. Continue sempre assim se permita ser alegre. feliz com a vida, enfi tudo de bom. Ana

    • É a Ana, minha prima? Que bom, você por aqui!
      Se não for, é bom do mesmo jeito…
      Bjoca! 😉

      • Ana Maria Ricci Gomes disse:

        Prima agora sou eu, mas a Ana anterior não sei quem é.
        Admiro o seu jeito de transformar coisas corriqueiras e difíceis de encarar, como uma pia lotada de louças, em algo tão gostoso e rico. Além disso consegue transmitir com as palavras todo os detalhes que ocorrem no momento.
        É assim que devemos viver…FELIZES SEMPRE e com muito amor, não importando os obstáculos e nem mesmo se temos platéia. Bjos! Ana Ricci

        • Valeu, então… Aprendi com minha mãe essa história de fazer limonada sempre que aparece um limão!
          Grata pelos comentários e pela visita. 😉
          Bjs!

  6. Eduardo disse:

    Só vc mesmo, maninha, prá dançar Danúbio Azul diante de uma pilha lotada…adorei! Tenho um CD com esta valsa imortal e de vez em quando, levando a Nina pro colégio às 7 da manhã deixo rolar…e ela tbém gosta, incrível! Valsemos pois diante da pia ou ao volante…Bjs.

  7. Eduardo disse:

    (Corrigindo)…Só vc mesmo, maninha, prá dançar Danúbio Azul diante de uma PIA lotada…adorei! Tenho um CD com esta valsa imortal e de vez em quando, levando a Nina pro colégio às 7 da manhã deixo rolar…e ela tbém gosta, incrível! Valsemos pois diante da pia ou ao volante…Bjs.

  8. Não sei o que é mais “perigoso”: eu na cozinha ou vc ao volante, valsa ao fundo! kkkkkkk

  9. […] VIDA E VALSA agosto, 2010 13 comentários 4 […]

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