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FIM DE ANO

Baixar a bola. Respirar. Renovar. Convenções à parte, acabou sendo útil, no mundo cristão-ocidental, comemorar o Natal às portas do fim de ano. O 25 de dezembro era festa pagã de culto ao Sol, que voltava a brilhar no céu, no solstício de inverno: a luz vencendo as trevas. O mesmo efeito da vinda de Jesus, para os cristãos. Daí, segundo consta, contrapor a festa cristã ao rito pagão. De qualquer forma, festa é festa. Comemorar bem ou mal, ou não comemorar, isto é com cada um. Ser “carneiro” do rebanho consumista e nada mais, também é pegar ou largar.

Indispensável é abrandar o coração e serenar o olhar. Para isto os presépios revivem, ano após ano. É ali que a Humanidade toda deveria se inspirar: inocência e santidade, simplicidade e paz. Silenciosamente, em meio à selvagem corrida pela “obrigação” de comprar presentes, fazer festa, aqui e ali um sinal, um apelo, uma discreta sugestão: o bebê no bercinho de palha, presença de mãe e pai, brilho de estrela…

Seja esta a função do Natal: reduzir a marcha, baixar os olhos, elevar o espírito. Trazer à tona a esquecida pureza, a infantil alegria, a atenção ao ser. Falar, ao menos, ( para não esquecer) em boa vontade, fraternidade, amor e paz. Trocar mensagens e cartões com arte, reafirmando o melhor em nós: o poder de agradar, expressar carinho, reconhecimento, interesse. Praticar civilidade para não se embrutecer. Porque é esta a tendência, alimentada por Jornais Nacionais e globalização: perdas e danos em profusão.

Seguir até quando na mesma toada dos dias iguais? Infindáveis tarefas de sobreviver, trabalhar, cuidar e manter, sem limite? Destino indefinido de andarilho, olhar perdido no horizonte inalcançável? VERDE E VERMELHO NELES, ouro e prata, bola e laço, pisca-pisca! Enfeitar as ruas, as casas, as vidas à beira da total indiferença, neutralidade e mesmice! Tirar o pó, limpar o mofo, mudar a cor: agenda nova, próximo dígito, recomeço. Reescrever a história, talvez…

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FINADOS

LIVRE PARA VOAR

  • Senhor Jesus!
  • Enquanto nossos irmãos na Terra se consagram hoje à lembrança dos mortos-vivos que se desenfaixaram da carne, oramos também pelos vivos-mortos que ainda se ajustam à teia física…
  • Pelos que jazem sepultados em palácios silenciosos, fugindo ao trabalho, como quem se cadaveriza, pouco a pouco, para o sepulcro;
  • pelos que se enrijeceram gradativamente na autoridade convencional, adornando a própria inutilidade com títulos preciosos, à feição de belos epitáfios inúteis;
  • pelos que anestesiaram a consciência no vício, transformando as alegrias desvairadas do mundo em portões escancarados para a longa descida às trevas;
  • pelos que enterraram a própria mente nos cofres da sovinice, enclausurando a existência numa cova de ouro;
  • pelos que paralisaram a circulação do próprio sangue nos excessos da mesa;
  • pelos que se mumificaram no féretro da preguiça, receando as cruzes redentoras e as calúnias honrosas;
  • pelos que se imobilizaram no paraíso doméstico, enquistando-se no egoísmo entorpecente, como desmemoriados, descansando no espaço estreito do esquife…
  • E rogamos-te ainda, Senhor, pelos mortos das penitenciárias, que ouviram as sugestões do crime e clamam agora na dor do arrependimento;
  • pelos mortos dos hospitais e dos manicômios, que gemem, relegados à solidão, na noite da enfermidade;
  • pelos mortos de desânimo, que se renderam, na luta, às punhaladas da ingratidão;
  • pelos mortos de saudade, que lamentam a falta dos seres pelos quais dariam a própria vida;
  • e por esses outros mortos, desconhecidos e pequeninos, que são as crianças entregues à via pública, exterminadas na vala do esquecimento…
  • Por todos esses nossos irmãos, não ignoramos que choras também como choraste sobre Lázaro morto…
  • E trazendo igualmente hoje a cada um deles a flor da esperança e o lume da oração, sabemos que o teu amor infinito clarear-nos-á o vale da morte, ensinando-nos o caminho da eterna ressurreição.

Fonte: “Religião dos Espíritos” – Francisco Cândido Xavier

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