Literatura do cotidiano e o que mais interessar…

HOME SWEET HOME

. . . E   CHOVE !!!                                               07.set.2010

… e finalmente choveu!!! E aguou, lavou, refrescou, apagou… tanto fogo no mato, nas matas!

Matam-se incendiários? Agora se recolhem, frustrados, rabo entre as pernas: falta do que fazer!

Mas a passarada comemora. Quase todo mundo comemora! 🙂

Damos graças, Deus! Revigora-se a esperança, revigoram-se as flores, as árvores, a terra sedenta.

Terra nossa sedenta de cuidados, de respeito, de atenção especial, fundamental, indispensável…

Terra nossa acolhedora, milagrosa, generosa, paciente aos 510.

Jovem terra brasilis apagando velinhas: literal e figuradamente.

E chove … inclusive na bandeira.

Beijos, Brasil, pátria amada! 🙂

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“Meu bebê…”

Mãe, pra você saber o que nunca te disse…

Obrigada, Mãe, pelo colo,
pelo amor e pelo carinho.
Obrigada, Mãe, pelo cuidado
ao nivelar meu caminho.
Desculpa, Mãe, pela grosseria,
pela falta de educação e paciência.
Desculpa, Mãe, pela indiferença
que se impunha na minha adolescência.
Me comoveu muito o empenho
pra me ajudar a alcançar minha felicidade.
Ainda que sem gostar da idéia,
me entregou a outra cidade.
Não me surpreendo mais com você,
pois você nunca desistia.
Parte com garra e perseverança
como uma leoa defendendo sua cria.
Agradeço, acima de tudo, não a você,
mas a Deus, que me presenteou
antes mesmo de eu saber por quê
me dando a vida através de você.
Te amo, te amo e te amo!!”

Débora

Novidades…

Foi só externar minha preferência pelo rotineiro que vieram novidades. Muitas e de uma vez. Tudo em janeiro. Começou com a decisão da caçula de se mudar pra Curitiba. Tudo bem que era sonho antigo. Mas dependia de passar no vestibular… Pelo menos do meu ponto de vista. Como não passou, resolveu ir assim mesmo, de mala e cuia. Imersão no local… Certo: em agosto ela faz 21. Mas é o meu bebê… “Ahhh… mãe!!!”. Mas é. Enfim, eduquei para a independência e autonomia e agora queria o que? Hesitação?… É auto-confiante, madura, decidida e corajosa. Habilidosa também. Determinada, principalmente. Sem medo.

Ótimo, eu sei, mas… e eu? E o quarto vazio, agora? Tudo bem, tudo bem, é assim que tem que ser, ela é a flecha e eu, só o arco! Não foi a primeira, é a terceira, mas dói do mesmo jeito. Talvez mais, já que estou mais velha. Menos corajosa e resistente. Também convivemos mais, nos últimos 5 anos, depois da minha aposentadoria. Desde cedo ela tinha medo de me perder, depois da morte da avó e do pai. Pelo jeito, passou… Claro que é melhor do que apatia, inutilidade, omissão. Tá. Foi chorando, e chorando ficamos. Domingo triste! Hoje conversamos no Messenger e ela está feliz: vejo pela webcam. E faz careta, palhaçada, se emociona, ri e sorri. Menina bonita. Deus a abençoe todo dia, como tem sido, aliás, desde sempre. E que assim seja! Mas fiquei sem assistente e sem muito mais. Agora, tudo eu de novo… inclusive.

Teve também hospital: cirurgia da Dri, de nariz, dia 8. Tudo certo, belo resultado. Fiquei de enfermeira e sem faxineira, que fez implante dos dentes, dia 9. Todos, de uma vez. Licença de 20 dias. E não tenho empregada. Me viro. Mas não dei conta da unha encravada… Duas, nos dedões dos pés. Dia 16, centro cirúrgico e várias picadas de anestesia local. Por uma boa causa: nenhuma sensibilidade e ele cortando, corrigindo e costurando. Bendita invenção da anestesia! Disse o meu médico que teria sido em Boston, século 18, se me lembro bem. E que antes se embebia algodão com éter e se enfiava no nariz da vítima, digo, paciente. Ele apagava e eles operavam. Terminava o efeito, repetiam a dose, até o fim. Sem outros controles… E eu ali, no possível conforto, sem frio nem calor, ouvindo o bip do monitor, grata por ser o século 21, tranqüila e curtindo a maravilha de perceber a cirurgia sem sombra de dor… Fim do suplício de pisar em gelo fino, prestes a espatifar.

Volto pra casa e a paciente de nariz vira enfermeira. De pés pra cima, vejo tudo por fazer. Em férias, minha enfermeira – uma revelação! – decide fazer velas decorativas. No balcão da cozinha… e no fogão. Nem quero ver. De repente a notícia do amigo infartado. Mas, gente Tudo junto?  E chove, chove, chove: janeiro no sudeste do Brasil. E goteiras na sala, como não? —Chama o Acácio! E sobe, martela, conserta. — Quer que lave as caixas d’água? — Vai, lava! Pelo menos essa parte se resolve. Não dá pra escapar. Coração apertado pela falta dela, alegria da casa, passarinha fujona, e dedões doloridos, inflamados, custando a cicatrizar. Banhos de romã, arruda e calêndula. Cama ou sofá. Antibiótico oral caro e, a meu ver, inútil. Curativo e limpeza à custa de xilocaína tópica e delicadeza de filha: ainda bem… Medo do diabetes e suas complicações: perder o dedo, o pé? Cheiro de vela sugerindo aviso de morte. — Sai, pensamento sinistro!

E finalmente a lembrança de um antigo antibiótico químico vegetal, famoso na família e na cidade: invenção de um dentista, acho eu, dos tempos do meu avô. Um décimo do que gastei na farmácia e o triplo da eficácia: cicatriza a jato e desinflama no ato! Tinha me esquecido. Impressionante! Como as guinadas que a vida dá. Se, por um lado, passou mais esta e a gente vai vencendo, por outro fica a certeza de que outras virão. Sem prévio aviso, é claro! Já disse Guimarães Rosa: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

Em fev/2008

Comentários em: "HOME SWEET HOME" (2)

  1. Maria de Lourdes disse:

    É isso amiga. Chove, faz frio, faz calor. A vida passa e nem percebemos. As flechas voam e ficamos nós com doce saudade…

  2. […] HOME SWEET HOME julho, 2010 1 comentário By Fátima Ricci, on 03/01/2011 at 12:23, under Gente. . Nenhum Comentário Poste um comentário ou deixe uma resposta do seu site: Endereço da resposta. « FIM DE ANO LikeBe the first to like this post. […]

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